Estava eu pesquisando sobre o Renascimento na Alemanha para o trabalho do meu primo, quando me deparei com estes quadros de Bruegel e Bosch. São admiráveis e meio perturbadores, não só pela temática, mas pela quantidade de detalhes que cada um deles possui. Cada canto das pinturas tem algo para ser observado e mesmo observando-os durante muito tempo, sinto que ainda não vi tudo. Não vou tentar analisar o os significados dos elementos utilizados pelos artistas para compor as obras, tanto porque não conheço o trabalho deles o suficiente para isso e nem sei se algum dia conhecerei, mas vou tentar mostrar o que senti e o que mais me chamou a atenção neles.
1 - O Triunfo da morte - Bruegel
Este certamente chama a atenção tanto pelo nome, quanto pelo tema. Para mim, que não sei qual foi a motivação do artista para pintá-lo, ele fala somente sobre a morte, mas ao mesmo tempo que o quadro assusta pela situação a qual os homens se encontram, ao meu ver ele também possui um pouco de humor. Por alguma razão que desconheço, os esqueletos que aqui aparecem como soldados e ceifadores de vidas me divertem pela surrealidade. Nunca os vi como símbolo da morte, então vê-los nesta posição foi "
no sense" para mim.
Agora falando sério, as representação de tantas mortes e de tantas formas diferentes mantém sua atenção no quadro. Choca você mas seus olhos parecem não obedecer e desviar o olhar. Além disso, o foco central (ao meu ver) é a pilha de pessoas sendo empurradas para dentro de um corredor, que lembra um pouco a cena de um gado sendo guiado para o matadouro e chama o olhar. A primeira coisa que se vê quando se olha para a obra pela primeira vez é esta cena dramática onde o desespero das pessoas que lá se encontram fica bem explícida. Depois dela, o olhar percorre todo o resto do quadro já quase sem esperança de ver algo bom acontecendo, passa por todo o inferior da obra e sobe pelo lado esquerdo onde está a carroça e o barco (onde comecei a sentir a surrealidade, que talvez nem exista) e aparentemente uma cidade em chamas ao fundo que beira um lago ou mar. No centro uma batalha parece estar acontecendo, mas não dá para distinguir muito bem . A direita, há um campo onde ocorre ao mesmo tempo, um enforcamento e uma execução, mas também é uma cena distante, sem grande impacto. A percorrer esse caminho circular (não obrigatório, é claro) é meio como se você se acostumasse com o que está acontecendo e já não se sente tão mal com isso, então o olhar volta para pilha e você fica com aquela sensação de perder as esperanças de novo. Pra mim, foi meio obsessivo. Toda vez que chegava na pilha, sentia a necessidade de olhar o resto do quadro de novo. E toda vez que fazia isso reparava em mais coisas nele. Como o casal de amantes no canto inferior direito que não parecem se encaixar no contexto, pois no meio de tudo que acontece, estão alienados aos fatos.
Eis alguns detalhes (ou por menores, sei lá):
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| Uma senhora chorando (e parece que o esqueleto a consola) |
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| Um homem nu perseguido por cães |
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| Um animal estranho que parece estar empurrando este veiculo |
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| uma caveira pensativa |
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| Um ser indefinido (ao estilo "Monstro da Lagoa Negra") |
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| Um esqueleto mostrando uma ampulheta a um rei caído e outra saqueando |
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| O casal de amantes já mencionados |
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| Um cão farejando (ou lambendo) um bebê ainda vivo |
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| Quatro figuras encapuzadas aparentemente em procissão |
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| Um homem nu ferido escondido numa árvore |
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| Um tabuleiro de gamão e cartas de baralho, um esqueleto mascarado e um homem que pelas roupas deve ser um a espécie de bobo da corte. Aliás, foi a única pessoa que encontrei no quadro usando este tipo de estampa. A roupa do esqueleto mascarado também não é comum assim como as túnicas dos esqueletos que estão no barco. |
Enfim, se disser que entendi o que Bruegel quis passar com o quadro, é mentira. Na verdade, adoraria encontrar alguém que pudesse explicá-lo a mim. Enquanto isso, bem, vou continuar a vê-lo da mesma forma como o vejo agora.